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IDRC Communications

Identificação: 124648
Adicionado: 2008-05-15 9:35
Modificado: 2008-08-13 13:52
Refreshed: 2008-11-15 17:10




Engage Youth, Entrench Democracy
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Engage Youth, Entrench Democracy
Ricardo Funari / BrazilPhotos.com

Apoiado pelo IDRC, um enfoque pioneiro em pesquisa ajuda o governo do Brasil na orientação de seus jovens em direção a uma cidadania mais ativa.

As crianças não nascem com técnicas de resolução de problemas democráticos, mas sim com um dos seus componentes chaves – a vontade de expressarem suas opiniões. . . É aí onde começa a luta pela democracia. — Patrick Watson, locutor e autor canadense

O Desafio do Desenvolvimento: Conectando com os Jovens

Nas décadas de 80 e 90, os meios de difusão e organizações não governamentais (ONGs) mundiais salientaram a situação urgente das crianças de rua no Brasil. Milhares de jovens sem lar sofriam a pobreza, a degradação e muitas vezes, a violência.

As terríveis circunstâncias destas crianças eram só a manifestação mais visível de um problema muito mais amplo. Entre os jovens que ainda moravam com suas famílias, milhões não tinham renda, educação, nem segurança suficientes para salvaguardá-los de morar na rua.

A cena pouco mudou desde então. Apesar de recentes sucessos econômicos, o Brasil continua com muita desigualdade econômica e social, incluindo grandes desigualdades econômicas inter-regionais. Além de conseqüências econômicas, a desigualdade pode ter impactos na participação política da juventude. Fala-se que muitos dos 34 milhões de brasileiros entre 15 e 24 anos se sentem vulneráveis, inseguros e receosos a respeito do seu futuro, afastados da corrente principal da vida pública e reticentes a participar em ações políticas.

Mas isto é só um ponto de vista. Outros dizem que, na verdade, grande parte dos jovens tem muito interesse em questões públicas e está preparada para agir positivamente. Por exemplo, milhares de jovens entusiastas assistiram a reuniões políticas onde se discutem questões tanto domésticas quanto internacionais, em particular o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre em várias oportunidades.

Em 2003, o novo governo do Brasil reconheceu que as perspectivas do país continuariam sendo sombrias se aqueles cidadãos recémchegados à maturidade não se incorporassem no processo político. Um decreto presidencial estabeleceu várias instituições de alto nível, incluindo o Conselho Nacional da Juventude, e as conclamou a aprofundar a democracia, encorajar a formulação de políticas mais inclusivas, e especialmente, fomentar o compromisso público dos jovens.

Antes de por em prática qualquer iniciativa, era preciso uma pesquisa sólida que respondesse à pergunta: É verdade que a juventude se sente excluída da cidadania plena?, e se é assim: Qual é o alcance e natureza do seu afastamento?

A Idéia: Reflexão e Diálogo

Com o apoio do IDRC, duas respeitadas ONGs se propuseram a abordar a questão. A missão do Instituto Brasileiro de Análise Social e Econômico (Ibase) do Rio de Janeiro, criado em 1981 pelo falecido ativista social Herbert de Souza (Betinho), é construir a democracia combatendo as desigualdades e estimulando a participação pública. O Instituto Pólis, criado em São Paulo em 1987, focaliza questões relacionadas com as cidades, em particular “o exercício dos direitos dos cidadãos como uma conquista democrática”.

Estas organizações enfatizaram a importância de ouvir os jovens. Seu plano de pesquisa em dois estágios requereu primeiro uma enquete quantitativa padrão para obter as opiniões de muitos jovens. Dado que as opiniões e valores poucas vezes se formam individualmente, pelo contrário, formam-se pela interação, o segundo estágio reuniu “grupos de diálogo” reduzidos para a discussão e a deliberação. Seu objetivo era a reflexão coletiva, o intercâmbio de opiniões e o diálogo sobre opções políticas, implicações e responsabilidades compartilhadas voltadas à identificação de barreiras e formas de superá-las.

Com o apoio técnico de um terceiro sócio, Canadian Policy Research Networks (CPRN), estes diálogos usaram a metodologia ChioceWork desenvolvida por Daniel Yankelovich, cientista social americano, líder em deliberação pública. ChoiceWork é uma aproximação coletiva à ação cívica pela qual se tratam conflitos de valores e compensações práticas, estabelecendo prioridades e direção.

O método procura representar diversidade de interesses, imparcialidade e direção local. O CPRN adaptou esta metodologia às realidades e necessidades do Brasil e às circunstâncias únicas deste projeto de diálogo.

A Pesquisa: Selecionando os Melhores Caminhos

Na enquete de opinião no fim de 2004, os pesquisadores entrevistaram 8000 jovens residentes em oito grandes cidades. Os entrevistados foram selecionados mediante uma rigorosa amostragem conseguindo equilíbrio de gênero e ampla representação em todo o grupo etário de 15 a 24 anos, entre classes sociais, raças e religiões – um processo de seleção que incluiu jovens que raramente são ouvidos. O questionário explorou seu pensamento sobre educação, família, trabalho, meios de comunicação e cultura, e também suas percepções e prática política.

Os grupos de diálogo se formaram no início de 2005. Convocaram voluntários que tinham respondido o questionário para se assegurarem uma ampla representação de níveis de ingressos e antecedentes sócio-culturais. Os 913 jovens se organizaram em 39 grupos entre nove e 37 membros, de diferentes cidades do Brasil.

Foram convidados a expressarem “qual é a sua maior preocupação” e a refletirem coletivamente sobre os melhores “caminhos de participação” dirigidos à consecução de seus alvos em educação, trabalho, cultura e lazer.

Em definitivo, o maior objetivo é possibilitar uma mudança, proporcionar uma melhora, seja para o país, cidade, para sua rua, não importa. Um caminho complementa o outro. Este é o ponto fundamental. E afirmamos que é assim como nós podemos buscar soluções, fazendo uso da nossa cidadania acima de tudo. Jovem participante do Rio de Janeiro

Na prática: Trabalhando juntos

Os pesquisadores concluíram que os jovens estão mais conscientes e mais preocupados pelas questões públicas do que se pensava. Esta revelação desafia a percepção comum de que os jovens são apáticos. De fato, parecem muito conscientes das condições que padece toda a população brasileira, mas não têm encontrado ainda o caminho adequado dirigido à ação.

Os diálogos se focalizaram em várias inquietações.

A segurança pessoal é fonte de grande ansiedade já que a juventude metropolitana corre o risco de assassinato e de acidentes de trânsito. O estudo concluía: “A juventude, longe de estar livre de preocupações práticas, está profundamente comprometida por questões vinculadas à preservação da própria vida”. Os jovens percebem a violência e a criminalidade como entrelaçado com inúmeros problemas, como a pobreza e a desigualdade social, poucas oportunidades de educação, desemprego, sistema de saúde inadequado, discriminação racial, corrupção e consumo de drogas.

Com respeito à educação, os jovens demandaram uma série de reformas de longo alcance: expansão da educação secundária, mais professores e melhores qualificados, melhores planos de estudo, metodologias e materiais, maior quantidade de atividades extracurriculares e uma maior oferta de cursos técnicos. Para muitos a melhora do sistema educacional é a chave para melhorar outras áreas, ajudando os jovens a aprenderem a enfrentar os conflitos. Diz um residente do Rio: “Acreditamos que a educação é o principal, a base de tudo”.

Os diálogos confirmaram a precária e frustrante situação laboral da juventude. Os participantes se preocupavam com o restrito mercado de trabalho, reconheciam a importância de “conseguir seu primeiro emprego”, e queixavam-se de enfrentar preconceitos por serem jovens e inexperientes. A cultura e o lazer são importantes em suas vidas. Enfatizaram a estreita relação entre esta questão e o emprego ou a educação. Um residente de Recife manifestou: “Sem emprego não há lazer”. Muitos se queixaram das poucas instalações esportivas, cinemas, museus, parques e centros culturais, e da necessidade de vigilância para proteger sua segurança pessoal em parques, praças públicas, ruas e praias.

Foram convidados a manifestarem “como eles estão dispostos a participar para que as mudanças que eles querem se tornem realidade”. Eles tiveram que escolher entre três “caminhos de participação”, ou adotar um caminho próprio.

Democracia é participação diária Herbert de Souza (Betinho) Fundador de Ibase

Três caminhos de participação

O caminho 1 implica se envolver com instituições estabelecidas de “adultos” tais como partidos políticos, sindicatos e ONGs. Para alguns este “caminho político” é a melhor direção para a ação efetiva, mas, outros sentiram que a política era o reino da burocracia e da corrupção. Um comentário de Recife muito compartilhado: “Eu realmente acredito que o primeiro caminho é o apropriado, embora não me veja a fazendo isso”.

O caminho 2 é o voluntariado individual, por exemplo, nas escolas, em locais de divertimento e hospitais, ou na doação de alimentos ou campanhas de alfabetização. Para alguns esta opção é “liberar o governo de responsabilidades”, mas para outros é uma oportunidade de ações concretas. O processo de diálogo significou uma importante vantagem para este caminho “autônomo” depois de ter se consolidado o consenso de que as “pessoas têm que estar unidas para defenderem seus interesses”.

O caminho 3 é a participação em instituições dirigidas exclusivamente por jovens: organizações esportivas ou culturais, jornais, sites ou fanzines. Alguns participantes acharam este caminho “fraco”, sem força política e pouco promissor para realizar mudanças. Para outros foi democrático, ou com maior impacto do que o voluntariado individual, ou como um modo de ganhar visibilidade e respeito.

Ao final do dia, os grupos encontraram virtudes nos três caminhos. Nenhum estilo de participação era suficiente para abordar os muitos e complexos problemas do Brasil. Foi assim que os jovens propuseram amalgamar os caminhos em um só, o “Caminho 4.”

Depois das discussões os participantes foram convidados a “mandarem uma mensagem aos políticos”. Um jovem de São Paulo expressou:

“Todos aprendemos a diferença entre manter um diálogo e uma disputa. A mensagem é que as pessoas que tomam decisões no país possam aprender a trabalhar em equipe.”

O Impacto: Quebrando Estereótipos

Um benefício imediato do projeto foi o novo conhecimento adquirido por todos envolvidos. Muitos dos jovens nunca tinham compartilhado suas experiências, e todos eles aprenderam de seus semelhantes sobre a

extraordinária diversidade do Brasil e novas formas de mobilização para a ação pública. Os pesquisadores aumentaram sua capacidade profissional aplicando, pela primeira vez no Brasil, o método participativo e deliberativo de dinâmica de grupo interativa ChoiceWork.

Os diálogos contribuíram para informar o público das circunstâncias sociais da juventude brasileira ao publicar os resultados da pesquisa. Esta publicidade ajudou também a pressionar o governo, especialmente nas campanhas eleitorais de 2006 quando as ONGs distribuíram milhares de folhetos informativos expondo as questões chaves.

Estes folhetos foram usados mais tarde para treinar as autoridades municipais responsáveis de políticas na formulação de medidas voltadas para os jovens.

Estes esforços de conscientização destruíram o estereótipo dos jovens serem apáticos e prepararam o cenário para ações posteriores em diferentes frentes. Durante 2007 o Conselho Nacional da Juventude organizou reuniões públicas em todo o Brasil para discutir novas políticas destinadas a engajar mais os jovens, consultas baseadas em grande parte nos resultados do Ibase e Pólis.

Futuros Desafios: Democracia sem Fronteiras

Os jovens de hoje não são vazios. Há muito nessas cabeças jovens. Isto é o que aprendi: os jovens têm um monte de sonhos, um monte de planos. O que está faltando é eles aprenderem a executar esses planos. Jovem participante de Recife

Youth and Democracy: a New Dialogue in Brazil, a ser publicado em conjunto pelo IDRC e I.B. Tauris em 2008, registrará as lições aprendidas do projeto. Enquanto isso, Ibase, Pólis e outros sócios têm trabalhado com o IDRC em estudos similares sobre os jovens em cinco países latino-americanos diferentes.

O projeto também teve impacto no Canadá. Simultaneamente com o estudo no Brasil, o CPRN embarcou em sua própria iniciativa: o Diálogo Nacional e Cúpula para o Compromisso da Juventude Canadense. Em um processo de colaboração intercultural, as lições aprendidas no curso do diálogo no Brasil foram aplicadas à experiência canadense.

Este trabalho en conjunto culminou em um seminário Brasil-Canadâ, realizado em Ottawa em 2006 – financiado pelo IDRC – destinado à questão de fortalecer as democracias e engajar os jovens.


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Video: Youth and Democracy in BrazilA unique research initiative supported by IDRC is inspiring Brazilian youth to rise to the challenge of helping to shape their future.





Arquivo : engageYouth_portuguese_web.pdf

2008-05

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